Rap coletivo reúne artistas pernambucanos em manifesto contra o feminicídio

A cena musical pernambucana ganha uma nova voz de protesto com o lançamento de “Chega de Feminicídio”, música idealizada pelo rapper e compositor Zé Brown para chamar atenção à violência contra as mulheres. A faixa reúne importantes nomes da música recifense em um manifesto artístico que denuncia o feminicídio e outras formas de violência de gênero. Com letra de Zé Brown e produção musical de Tufão, da PDR Produções, a canção conta com as participações de Bione, Ranne Skull, Isaar, Nena Queiroga, Edilza Aires, Canibal e MC Leozinho. Em versos marcados pelo rap e pela crítica social, os artistas defendem o fim da violência contra as mulheres e reforçam a necessidade de mobilização coletiva.


A música foi lançada em um contexto preocupante. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime, enquanto Pernambuco contabilizou 88 casos no mesmo período. Embora o primeiro quadrimestre de 2026 tenha apresentado redução nas ocorrências no estado, os índices seguem elevados. Segundo Zé Brown, a composição nasceu da indignação diante da violência crescente contra as mulheres. O artista afirma que o objetivo é sensibilizar a população e estimular uma mudança de comportamento por meio da arte, transformando a indignação em atitude.

Ao longo da canção, cada participante aborda diferentes aspectos da violência de gênero, como agressões físicas, psicológicas, verbais, importunação sexual e feminicídio, reforçando a mensagem de que mulheres merecem respeito, dignidade e proteção. Reconhecido como um dos principais nomes do rap pernambucano e integrante do grupo Faces do Subúrbio, indicado ao Grammy Latino em 2001, Zé Brown destaca que a música reafirma o papel da cultura como instrumento de conscientização e transformação social.

Mais do que uma produção musical, “Chega de Feminicídio” se apresenta como um manifesto coletivo em defesa da vida das mulheres, convidando a sociedade a romper o silêncio, combater todas as formas de violência e fortalecer a luta pelo respeito e pela igualdade.

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