A história de uma calunga desaparecida por mais de três décadas e posteriormente devolvida ao seu maracatu de origem será o ponto de partida do enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval de 2027. Em busca de referências para o desenvolvimento do tema, representantes da agremiação carioca visitaram, nesta quinta-feira (18), o Museu do Homem do Nordeste (Muhne), no Recife.
O principal personagem da narrativa é Dona Júlia, uma calunga confeccionada em madeira de imbuia e cera pigmentada, considerada um dos símbolos sagrados do Maracatu-Nação Porto Rico. A peça guarda o egun de Maria Júlia do Nascimento, conhecida como Dona Santa, histórica rainha do Maracatu-Nação Elefante.
A calunga foi encomendada por Eudes Chagas, rei coroado do Porto Rico. Após sua morte, no fim da década de 1970, Dona Júlia foi encaminhada para um museu. Anos depois, quando Elda Viana assumiu a missão de reorganizar a nação, descobriu que a peça havia desaparecido sob circunstâncias nunca esclarecidas.
Somente 34 anos depois, a calunga foi reencontrada, passou por um processo de reconsagração religiosa e retornou ao Maracatu-Nação Porto Rico, onde permanece sob guarda até hoje.
Além da história de Dona Júlia, a equipe da Imperatriz Leopoldinense demonstra interesse em conhecer outras calungas e peças históricas preservadas pelo Muhne. O objetivo é aprofundar a pesquisa para a criação de fantasias, alegorias e elementos cenográficos do desfile.
Entre os destaques do acervo está a coleção do Maracatu-Nação Elefante, considerado o mais antigo de Pernambuco e um dos mais importantes do Brasil, com fundação datada de 1800.
Segundo o coordenador-geral do Museu do Homem do Nordeste, Moacir dos Anjos, o acervo reúne vestimentas, instrumentos musicais e objetos que ajudam a contar a trajetória dos maracatus-nação pernambucanos. O material servirá como referência para a construção visual e narrativa do enredo da escola de samba.
Outra peça que chama a atenção é Dona Joventina, calunga pertencente ao Maracatu-Nação Estrela Brilhante do Recife. Após a morte do fundador da agremiação, a peça foi entregue à antropóloga e fotógrafa Katarina Real, permanecendo sob sua guarda até ser doada à Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
A visita reforça a importância do patrimônio cultural pernambucano para a valorização das tradições afro-brasileiras e evidencia como a história dos maracatus-nação do Recife deve ganhar projeção nacional no Carnaval de 2027, através de uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro.
Com informação da Assessoria e imagem de Calunga Dona Joventina/ Acervo da Fundaj