O Colégio Presbiteriano Mackenzie Agnes, no Recife, iniciou um projeto inovador que utiliza indicadores fisiológicos para aprimorar o processo de aprendizagem de estudantes da educação básica. A iniciativa foi selecionada pelo Fundo Mackenzie de Pesquisa e Inovação (MackPesquisa), voltado ao incentivo de estudos científicos com impacto institucional.
A pesquisa tem como foco a análise da variabilidade da frequência cardíaca (VFC), um indicador já consolidado no esporte de alto rendimento, mas ainda pouco explorado no ambiente educacional. A proposta é aplicar esse monitoramento para compreender melhor fatores que influenciam o desempenho cognitivo, o comportamento e o bem-estar dos alunos.
Coordenado por José Carlos Medeiros, responsável pela área de Esportes da unidade, o projeto acompanhará cerca de 60 estudantes. A metodologia inclui uma abordagem multivariável, com coleta de dados fisiológicos, aplicação de questionários diários, monitoramento do sono e análise comportamental. Segundo Medeiros, o principal desafio é adaptar o uso da VFC ao contexto escolar, já que, diferentemente dos atletas, os alunos não possuem rotina estruturada para acompanhamento fisiológico. Por isso, o projeto prevê ações de engajamento envolvendo também professores e familiares.
A pesquisa considera ainda fatores externos que impactam diretamente o aprendizado, como ambiente familiar, condições socioeconômicas, alimentação, qualidade do sono e exposição a telas. Esses elementos influenciam o equilíbrio do sistema nervoso autônomo, refletido nos índices de VFC. Com a integração dessas variáveis, a expectativa é obter uma leitura mais precisa da realidade dos estudantes, permitindo intervenções personalizadas e mais eficazes. A proposta inclui o desenvolvimento de um dashboard digital para acompanhamento dos dados, o que amplia o potencial de aplicação prática.
A iniciativa já nasce com perspectiva de expansão para outras instituições de ensino, devido à sua base científica e ao uso de tecnologias acessíveis. A ideia é que o modelo possa ser replicado em diferentes contextos educacionais no país. Para a direção do colégio, o projeto representa um avanço no conceito de educação integral, ao incorporar dados científicos no acompanhamento do aluno. A expectativa é contribuir para a melhoria do rendimento escolar, redução de estresse e promoção do bem-estar.
A longo prazo, a proposta pode influenciar novas práticas pedagógicas no Brasil, aproximando ciência, tecnologia e educação de forma integrada.
Com informação da Assessoria e imagem de divulgação/ Cybelle França