A Tecnologia SARA (Saneamento Ambiental e Reuso de Água) entra em uma nova etapa de expansão no semiárido brasileiro com um investimento de R$ 21 milhões destinados à pesquisa, ampliação e fortalecimento do sistema em comunidades rurais. Desenvolvida pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a iniciativa tem como principal objetivo enfrentar dois desafios históricos da região: a escassez de água e o acesso limitado ao saneamento básico.
O sistema atua no tratamento de águas provenientes de esgotos domésticos, escolares e comunitários, transformando esse recurso em uma alternativa segura para o cultivo de plantas forrageiras e alimentícias. A proposta alia sustentabilidade ambiental, segurança hídrica e adaptação às mudanças climáticas, promovendo soluções tecnológicas acessíveis e adequadas à realidade do semiárido.
Atualmente, mais de 370 unidades do SARA já estão em funcionamento em diferentes localidades, beneficiando diretamente famílias agricultoras e comunidades rurais. Com o novo aporte financeiro, oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e executado pelo INSA em parceria com a Finep, a expectativa é ampliar significativamente o alcance da tecnologia e aprimorar seus resultados.
Entre as metas previstas estão a instalação de novas unidades, a avaliação dos impactos socioeconômicos e ambientais nas regiões atendidas e o incentivo à diversificação produtiva por meio do desenvolvimento de bioprodutos. Outro ponto estratégico será a criação de um modelo de governança colaborativa da água, estimulando a participação ativa das comunidades na gestão e manutenção dos sistemas.
Desde sua implementação, em 2018, o SARA vem contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar, aumento da segurança alimentar e geração de renda local. A reutilização da água tratada reduz custos de produção, amplia a capacidade de irrigação e favorece práticas agrícolas mais resilientes diante dos períodos de estiagem prolongada.
Além do impacto econômico, a tecnologia também promove avanços na saúde pública e na qualidade de vida das populações atendidas, ao oferecer soluções de saneamento adequadas e ambientalmente responsáveis. O modelo se destaca por integrar ciência, inovação e inclusão social, reforçando o papel das instituições públicas na promoção do desenvolvimento regional sustentável.
A nova fase do projeto consolida o SARA como uma das principais iniciativas de tecnologia social voltadas ao semiárido brasileiro, unindo pesquisa científica, cooperação institucional e protagonismo comunitário para transformar realidades e ampliar o acesso à água de forma segura, eficiente e duradoura.
Com informação da Assessoria e imagem de Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil