Será lançado nesta sexta-feira (18), às 19h, na Fenearte, em Olinda, o livro Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste, do jornalista e pesquisador Octávio Santiago. A publicação, da Autêntica Editora, investiga as origens, motivações e permanências do preconceito contra o Nordeste no imaginário nacional. O lançamento em Pernambuco será realizado no espaço Conversas Instigantes, com bate-papo entre o autor e o jornalista Márcio Bastos, seguido de sessão de autógrafos.
Resultado de uma pesquisa de doutorado desenvolvida na Universidade do Minho (Portugal), a obra propõe uma análise profunda e acessível sobre os caminhos históricos, políticos e culturais que moldaram estereótipos sobre o povo nordestino. A abordagem tem ganhado destaque nacional e o livro chegou à segunda tiragem em menos de 30 dias após sua estreia.
Dividido em cinco atos, em alusão à dramaturgia clássica, o livro organiza sua análise em torno de eixos como desigualdades estruturais, racialização, monotematização (como seca e violência), oposição regional e estereótipos culturais. A estrutura busca dar densidade e fluidez à leitura, aproximando o público geral de um debate urgente e atual.
Octávio Santiago também propõe o conceito de “Complexo de Macabéa”, referência à protagonista do romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, como metáfora do apagamento identitário e simbólico que afeta os nordestinos. Além disso, o livro resgata momentos emblemáticos, como a polêmica matéria da Folha de S. Paulo de 1991 que comparava nordestinos pobres a uma “nova espécie humana”, apelidando-os de “homens gabirus”.
A obra ainda registra a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que passou a reconhecer injúrias contra nordestinos como crime de racismo, consolidando um avanço no combate jurídico à discriminação regional.
O autor articula fatos históricos, discursos midiáticos e representações artísticas para desmontar a narrativa estigmatizante associada ao Nordeste e oferece ao leitor um novo espelho para compreender o Brasil. Com linguagem envolvente e rigor acadêmico, Só sei que foi assim se firma como leitura fundamental para quem busca refletir sobre os mecanismos de exclusão simbólica e contribuir para a superação de preconceitos no país.
Com informação da Assessoria e imagem de Rierson Marcos